
A face oculta do Mal
O dia nascera ensolarado, quente e promissor. As 14h00 daquele dia (03 de Março de 1993) teria de submeter-me a uma importante prova de Electrónica Digital (a par da Electrónica Analógica, a Electrónica Digital era uma das disciplinas nucleares do Curso de Telecomunicações e Electrónica) no Instituto Nacional de Telecomunicações (ITEL), instituição de ensino médio onde, à data dos factos que estão a ser aqui narrados, frequentava a 10ª classe, ou seja, o 2º ano do Ensino Médio Técnico-Profissional.
No dia anterior (02 de Março de 1993), tinha informado o meu pai (um antigo e experimentado enfermeiro de profissão) de que me encontrava a braços com uma gonorreia (doença sexualmente transmissível) e que precisava da sua ajuda, pois, ao contrário da primeira experiência que tivera com esta DTS (doença sexualmente transmissível), desta vez a automedicação simplesmente não estava a funcionar.
Foi bastante constrangedor para mim ter que dizer ao meu pai que há três dias me tinha envolvido sexualmente com uma jovem, e que em razão deste contacto sexual apanhara um “esquentamento”, mas, por estar cônscio da potencial gravidade da doença (se não for tratada a tempo a gonorreia pode lesar os órgãos reprodutivos e causar infertilidade tanto em homens como em mulheres), tive que me abrir com o meu pai.
No dia seguinte, lá por volta das 12 horas, contactei o meu pai para começarmos já com o tratamento, pois se aproximava a hora em que teria de ir à escola, para submeter-me à prova escrita que estava agendada.
Enquanto me preparava, vi de relance o meu pai a manipular alguns objectos no interior de uma das panelas que estava sobre o fogão aceso. Um denso vapor saia freneticamente da panela, indicando que o processo de esterilização da seringa de vidro que iria utilizar estava em curso (seringas de vidro sempre foram muito apreciadas por enfermeiros da “velha-guarda”).
Minutos depois, o meu pai me chamou. A lembrança daquele dia nunca irá desvanecer-se na minha memória. Lembro-me perfeitamente da roupa que eu trajava naquele dia: calças pretas e camisa xadrez, de mangas compridas… de cor azul royal e preta.
Com o apertar das horas (como dissera, a prova de electrónica digital estava marcada para as 14 horas, logo estava ficando sem tempo), o meu pai optou por aplicar-me a injecção de penicilina procaína em pé.
Com um pedaço de algodão embebido em álcool isopropílico, o meu pai desinfectou a área em que iria aplicar a injecção, e, imediatamente, mas de forma lenta e cuidadosa foi injectando o medicamento em um dos glúteos.
A dor fora quase imperceptível, mas algo chamou imediatamente a minha atenção e percepção de que estava em perigo. E, então, exclamei com ênfase: “pai, pára!!…”.
Antes de continuar, gostava de esclarecer que a paixão pelos livros (sempre gostei de ler) marcará desde muito cedo o meu percurso como “ser social”. Faço parte de uma geração que foi ensinada a cultivar o salutar hábito de leitura.
Portanto, quando ocorreram os eventos traumáticos despoletados com aquela injecção, eu já sabia o que era alucinação. O que eu não sabia era que a bruxaria e a presença de espíritos malignos no nosso mundo era real.
É consabido que alguns medicamentos, entre eles antibióticos, podem despoletar uma crise alucinógena, mas, hoje, depois de passar pela experiência aterrorizante e traumática que passei, posso, por via desta experiência e conhecimento que mais tarde adquiri enquanto pastor, assegurar-vos que muitas das explicações dadas pela ciência e medicina para fenómenos psíquicos, psicológicos e parapsicológicos, na verdade não passam de “cortina de fumo”, uma forma de encobrimento inconsciente, pela classe científica e/ou médica (como a parapsicologia, psicologia, psiquiatria, etc) da presença do Mal (sobretudo da bruxaria) no mundo em que vivemos.
Quando olhamos para um doente mental, vulgo maluco, a primeira coisa que nos passa pela cabeça é que aquele homem (ou mulher) padece de uma doença do foro psiquiátrico, o que pode ser tanto verdade como mentira. Há muita gente maluca por acção das trevas. E é sobre as trevas e a sua actuação sútil na vida das pessoas que não têm Deus, que iremos falar nos parágrafos que se seguem.
Continua no próximo artigo…
